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O Cruzeiro do Sul

O Trem Cruzeiro do Sul, foi um trem de passageiros de luxo da EFCB, que circulava do Rio de Janeiro para São Paulo , representava o que de mais moderno e confortável havia de disponível para a viagem entre as duas cidades mais importantes do País. Este trem foi inaugurado em 1929 e foi substituído pelo Trem Santa Cruz na década de 50. A EFCB adquiriu um lote de 12 carros dormitórios, e três carros garagem-buffet (restaurante), utilizados geralmente com três composições de cinco carros (4+1). Construídos em aço carbono e pintados em azul escuro com pequenos frisos dourados ou prateados, receberam os números DM 201 a 212 (dormitórios) e F101 a 113 (bagagem-buffet). Uma curiosidade é que os números foram colocados antes das letras nas pinturas de fábrica, sendo esse um erro da fabricante. Eles foram fabricados nos Estados Unidos pela ACF - American Car and Foundry.

Os carros dormitórios possuíam nove cabines com 2 camas beliche, sendo oito com camas transversais e uma com camas longitudinais, esta exatamente no centro do carro. Cada cabine possuía internamente, além do beliche, uma pia com espelho no canto junto à janela e uma pequena cadeira próxima à porta. Cada carro possuía dois banheiros comuns a todas as cabines, com acesso pelo corredor longitudinal (o lado do corredor apresentava apenas nove janelas, contra onze do lado das cabines). Os carros bagagem-buffet eram equipados com cozinha e salão para duas mesas para quatro pessoas, uma mesa para duas pessoas e sete poltronas com mesas individuais basculantes; havia ainda um gabinete para o chefe do trem, dispensa com gaiolas e o compartimento de bagagem. Ambos os carros possuíam originalmente truques de três eixos, sendo o comprimento entre os engates de aproximadamente 20,6 metros.

Este trem era guiado geralmente por uma locomotiva a vapor Pacific (rodagem 4-6-2) de bitola larga, uma Pacific conhecida como "Velha Senhora" a 353 ainda sobrevive em funcionamento e está preservada com a ABPF - Sul de Minas no Trem Turístico de Guararema - SP. Quando a EFCB começou a substituir ás maquinas a vapor por maquinas a diesel, o Cruzeiro do Sul também teve a sua tração trocada para uma maquina a diesel.

Quando o Trem Santa Cruz entrou em operação na década de 50, o Cruzeiro do Sul perdeu seu status para ele, pois os carros do Santa Cruz eram fabricados em aço-inox, continham ar condicionado e muito conforto! A partir disso o Cruzeiro do Sul teve seu serviço requalificado como expresso entre Rio e São Paulo, que partiam do Rio às 20h40min, e chegavam em São Paulo às 7h50min, e foram utilizados até meados dos anos 60, tendo seu fim como meros carros de Via Permanente.

"O Cruzeiro do Sul" era mais do que um trem: era uma instituição, um símbolo de luxo, um emblema de grandeza. No silêncio das noites de Rodeio (Antigo nome de Eng. Paulo de Frontin), nunca chegando antes, nunca chegando depois, ouvíamos o "Cruzeiro do Sul" ainda ao longe, saindo do túnel 11 e vindo majestosamente, serpente de aço azulado, precisando cumprir o horário, nunca parando ali. Ninguém ia dormir sem que ele chegasse com seus vagões iluminados, deslizando sobre os trilhos como uma lagarta fosforescente, fazendo a estação rejeitada tremer de orgulho ferido, mas de vaidade também. Assim eram os trens daquele tempo, assim era o Cruzeiro do Sul, que não dava bola para Rodeio e o humilhava com o seu desdém, passando lentamente com seus vagões iluminados e se perdendo na noite. Mesmo assim, Rodeio sentia que vivera mais um instante de glória. Podia adormecer, agora, no silêncio deixado pelo trem azul, silêncio magnífico, silêncio que cheirava a carvão e cheiraria a saudade" (Carlos Heitor Cony, 17/03/1996)


Ainda existem carros do Cruzeiro do Sul espalhados pelas linhas da EFCB, todos abandonados e fora de uso.


Curiosamente, não existe registros fotográficos desse que foi o trem mais luxuoso do Brasil em seus anos de circulação.




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